Se você já recebeu Reiki, provavelmente sabe que explicar a experiência nem sempre é simples. Algumas pessoas falam em relaxamento profundo, outras percebem mais tranquilidade, bem-estar ou uma pausa diferente no ritmo do dia. Mas existe uma pergunta que aparece cada vez mais: o que a ciência tem encontrado quando estuda o Reiki?
A boa notícia é que o Reiki não está restrito apenas aos relatos de quem pratica. Nas últimas décadas, universidades e pesquisadores passaram a avaliar a prática em estudos clínicos, dissertações, teses e revisões científicas. E vários desses trabalhos encontraram resultados positivos em aspectos como ansiedade, estresse, conforto, dor percebida, bem-estar e qualidade de vida.
Isso não significa transformar Reiki em promessa de cura ou substituir medicina e psicologia. Significa algo mais equilibrado — e, para nós, igualmente interessante: há efeitos observáveis sendo estudados e resultados que ajudam a compreender por que tantas pessoas incluem o Reiki em sua rotina de autocuidado.
Então, Reiki funciona?
Uma resposta de apenas “sim” ou “não” seria simples demais. O que a pesquisa científica consegue avaliar são efeitos específicos, em grupos específicos e dentro de condições bem definidas.
Quando pesquisadores estudam Reiki, eles podem medir, por exemplo, se houve mudança nos níveis de ansiedade antes de uma cirurgia, na percepção de dor, no conforto durante um procedimento ou na qualidade de vida de um grupo de participantes. E é justamente nesses desfechos que encontramos alguns resultados bastante interessantes.
Em vez de pensar em “provar toda a explicação do Reiki de uma só vez”, vale olhar para aquilo que já foi observado. E hoje já existe uma produção científica que merece atenção.
O que pesquisas recentes encontraram?
Ansiedade: uma meta-análise reuniu 824 participantes
Uma meta-análise publicada em 2024 na BMC Palliative Care reuniu estudos com 824 participantes adultos. Ao analisar os dados em conjunto, os pesquisadores encontraram um efeito estatisticamente significativo do Reiki na redução da ansiedade.
Meta-análises são importantes porque não observam apenas um único experimento: elas combinam resultados de diferentes pesquisas para identificar o que o conjunto dos dados está mostrando.
Qualidade de vida: 661 participantes em ensaios randomizados
Outra meta-análise, publicada em 2025 na revista Systematic Reviews, reuniu ensaios clínicos randomizados com 661 participantes. O estudo encontrou uma melhora estatisticamente significativa na qualidade de vida após as intervenções com Reiki.
Qualidade de vida é um conceito amplo. Ele pode envolver percepção de bem-estar, funcionamento cotidiano e diferentes dimensões da experiência de saúde. Por isso, esse tipo de achado ajuda a ampliar a discussão para além de um único sintoma.
No Brasil: Reiki antes de cirurgia cardíaca
Um ensaio clínico brasileiro publicado em 2024 na Acta Paulista de Enfermagem acompanhou 88 pessoas que passariam por cirurgia cardíaca. Metade recebeu duas sessões de Reiki e metade integrou o grupo controle.
Os pesquisadores encontraram diferenças estatisticamente significativas em ansiedade, bem-estar e tensão muscular. O efeito observado foi especialmente expressivo para a ansiedade pré-operatória.
Antes de uma endoscopia: menos ansiedade e estresse, mais conforto
Em outro ensaio randomizado e controlado com Reiki simulado, 159 pessoas foram avaliadas antes de uma endoscopia gastrointestinal. Após a intervenção, o grupo que recebeu Reiki apresentou redução significativa de ansiedade e estresse e aumento do conforto em comparação aos outros grupos.
Esse tipo de estudo chama atenção porque utiliza também um grupo com uma intervenção simulada, ajudando os pesquisadores a comparar de forma mais cuidadosa o que acontece entre diferentes condições.
Idosos atendidos na Atenção Primária: resultados em saúde emocional
Uma tese de doutorado da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da USP, defendida em 2024, realizou um ensaio clínico randomizado com 49 idosos atendidos em uma Unidade Básica de Saúde.
Após a aplicação do Reiki, a pesquisa encontrou redução significativa de sintomas de estresse, ansiedade e depressão em comparação ao grupo controle, além de um leve aumento nos níveis de atenção plena.
Dor e ansiedade em pacientes cirúrgicos
Um ensaio clínico randomizado com 93 pacientes submetidos a cirurgia abdominal encontrou redução dos níveis de medo cirúrgico, ansiedade e dor no grupo Reiki, além de aumento da saturação de oxigênio.
Em pesquisas desse tipo, o Reiki é estudado como um recurso complementar dentro de um contexto de assistência em saúde — não como substituto da cirurgia, da medicação ou da equipe médica.
Por que esses resultados são interessantes?
Porque eles aparecem em contextos bastante diferentes: pessoas aguardando procedimentos, pacientes cirúrgicos, idosos, profissionais de saúde e grupos acompanhados em pesquisas sobre qualidade de vida.
Quando estudos realizados por equipes e instituições diferentes encontram efeitos positivos em variáveis como ansiedade, estresse, conforto e bem-estar, isso fortalece a ideia de que o Reiki pode ter um lugar relevante como prática complementar de cuidado.
Para quem já pratica Reiki, é interessante perceber que experiências frequentemente relatadas por alunos e participantes — como tranquilidade, relaxamento e sensação de bem-estar — também passaram a ser investigadas com instrumentos científicos.
Ciência e tradição precisam estar em lados opostos?
Não necessariamente. A tradição do Reiki possui sua própria linguagem, construída ao redor de conceitos como energia vital, equilíbrio, presença e prática pelas mãos. A ciência, por outro lado, trabalha com aquilo que pode ser observado, medido e comparado.
As duas perspectivas não precisam ser confundidas para que possam conversar. É possível respeitar a tradição e, ao mesmo tempo, acompanhar com interesse o que as pesquisas vêm encontrando.
No IPIS, essa é uma postura que consideramos importante: aprofundar o Reiki sem abandonar o senso crítico, a responsabilidade e o respeito aos limites de cada área.
O que esses estudos não significam?
Eles não significam que toda pessoa terá a mesma experiência, nem que Reiki deva substituir um tratamento necessário. Também não autorizam promessas de cura para doenças específicas.
O uso responsável do Reiki continua sendo complementar. Medicamentos, psicoterapia, fisioterapia, acompanhamento médico e outros cuidados profissionais não devem ser interrompidos por causa da prática.
Esse cuidado não diminui o Reiki. Pelo contrário: ajuda a apresentá-lo com mais seriedade e confiança.
E para quem deseja aprender Reiki?
Talvez esse seja o ponto mais bonito dessa conversa. Reiki não é uma experiência que precisa ficar restrita ao momento em que alguém aplica em você. A tradição foi estruturada para que a pessoa possa aprender, praticar em si mesma e desenvolver sua própria relação com o método.
No Curso de Reiki Nível 1 do Instituto IPIS, quem está começando conhece os fundamentos, os princípios, a prática pelas mãos e o autorreiki. É a porta de entrada para uma jornada que pode seguir pelos níveis posteriores, conforme o interesse de cada aluno.
Se você ainda quer conhecer a prática antes de fazer um curso, também pode participar dos atendimentos voluntários de Reiki do IPIS em Uberlândia.
E, se esta é sua primeira leitura sobre o tema, recomendamos também nosso guia O que é Reiki? Como funciona, para que serve e como começar e o artigo sobre PICS e a presença do Reiki no SUS.
Perguntas frequentes
Existem pesquisas científicas sobre Reiki?
Sim. Existem ensaios clínicos randomizados, estudos controlados, dissertações, teses, revisões sistemáticas e meta-análises investigando Reiki em diferentes contextos. Parte dessa produção tem encontrado resultados positivos em ansiedade, estresse, conforto, dor percebida, bem-estar e qualidade de vida.
Reiki pode contribuir para reduzir a ansiedade?
Há pesquisas que apontam nessa direção. Uma meta-análise de 2024 com 824 participantes encontrou redução significativa da ansiedade associada às intervenções com Reiki, e ensaios clínicos também observaram resultados favoráveis em contextos específicos.
Reiki pode contribuir para o bem-estar?
Alguns estudos avaliaram variáveis como conforto, bem-estar e qualidade de vida e encontraram resultados positivos. A experiência individual, entretanto, pode variar de pessoa para pessoa.
Preciso entender ciência para aprender Reiki?
Não. Você não precisa dominar estatística ou leitura acadêmica para praticar Reiki. Conhecer as pesquisas pode ampliar sua compreensão e segurança, mas o aprendizado acontece principalmente pela formação, pela prática e pela experiência.
Referências para quem deseja aprofundar
Guo X. et al. Therapeutic effects of Reiki on interventions for anxiety: a meta-analysis. BMC Palliative Care, 2024.
Effects of Reiki therapy on quality of life: a meta-analysis of randomized controlled trials. Systematic Reviews, 2025.
Gomes ET, Püschel VAA. Efetividade da terapia Reiki para ansiedade pré-operatória na cirurgia cardíaca: ensaio clínico randomizado. Acta Paulista de Enfermagem, 2024.
Morero JAP. Eficácia do Reiki para promoção de saúde mental no cuidado de enfermagem para idosos na atenção primária. Tese de Doutorado, USP, 2024.
Şişman H, Arslan S. The effect of Reiki on anxiety, fear, pain, and oxygen saturation in abdominal surgery patients: a randomized controlled trial.
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