O que é Reiki? Como funciona, para que serve e como começar

Entenda o que é Reiki, como funciona, para que serve, o que a ciência já investigou e como começar a aprender essa prática integrativa.
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Eduardo Isaac

foto de uma aplicação de reiki

Reiki é uma prática integrativa de origem japonesa que utiliza a imposição ou aproximação das mãos como parte de uma experiência de cuidado, relaxamento e atenção. Para muitas pessoas, o primeiro contato com o Reiki nasce de uma pergunta simples: o que é Reiki, como funciona e para que serve?

A resposta exige separar três dimensões que frequentemente aparecem misturadas: a tradição do Reiki, que fala em energia vital e prática espiritual; a experiência de quem pratica ou recebe, frequentemente associada a relaxamento e bem-estar; e a pesquisa científica, que vem registrando resultados positivos em desfechos como ansiedade, estresse, dor percebida e qualidade de vida em diferentes contextos de cuidado.

Neste guia, o Instituto IPIS apresenta essas dimensões de forma clara e responsável, para que você possa compreender o Reiki sem promessas absolutas e decidir se deseja conhecê-lo como prática de autocuidado, caminho de desenvolvimento pessoal ou formação.

O que é Reiki?

Reiki é uma prática desenvolvida no Japão no início do século XX e associada à trajetória de Mikao Usui. Na tradição reikiana, a palavra costuma ser relacionada à ideia de uma energia universal. Outras expressões também utilizadas para essa idéia é energia cósmica e energia vital universal.

Durante uma prática ou sessão, o reikiano posiciona as mãos suavemente sobre determinadas regiões do corpo ou próximas a elas. Além disso existem dezenas de outras técnicas do Reiki que favorecem uma experiência de harmonização, presença e cuidado.

A ideia dessa energia sutil faz parte da explicação tradicional do Reiki. Na pesquisa científica, o foco costuma recair sobre efeitos observáveis da prática, como relaxamento, ansiedade, estresse, dor percebida, conforto e qualidade de vida — áreas nas quais estudos clínicos, revisões e meta-análises vêm registrando resultados positivos.

De onde vem o Reiki?

A sistematização do Reiki é atribuída a Mikao Usui (1865–1926), no Japão. A história da prática foi transmitida durante décadas por diferentes linhagens e escolas, o que fez surgir versões distintas sobre alguns episódios de sua vida.

Por isso, no IPIS buscamos diferenciar relatos tradicionais de documentos históricos. Esse trabalho inclui o estudo de registros japoneses, documentos ligados à trajetória de Usui e materiais da época. Para quem deseja aprofundar a dimensão histórica e técnica da prática, o IPIS também oferece o Curso de Técnicas Tradicionais Japonesas de Reiki.

Como funciona o Reiki?

Na explicação tradicional, o praticante atua como um canal para o Reiki por meio das mãos, com a intenção de favorecer equilíbrio e harmonia. Essa linguagem pertence à tradição e à experiência do Reiki.

No campo científico, o Reiki vem sendo investigado por meio de ensaios clínicos e revisões que observam mudanças mensuráveis em desfechos de saúde e bem-estar. Essa abordagem permite avaliar resultados da prática de forma objetiva, enquanto a tradição reikiana preserva sua própria linguagem sobre energia vital, equilíbrio e harmonização.

Pesquisas clínicas vêm investigando a experiência de receber Reiki em variáveis como relaxamento, ansiedade, estresse, dor percebida e qualidade de vida. Ensaios controlados, revisões sistemáticas e meta-análises já registraram resultados positivos em diferentes contextos, reforçando o interesse científico pela prática. Esses achados ajudam a compreender seu potencial como cuidado complementar, sem transformar o Reiki em promessa de cura ou substituto de tratamentos de saúde.

Para que serve o Reiki?

Na prática cotidiana, muitas pessoas procuram o Reiki como uma experiência complementar de relaxamento, autocuidado, pausa, meditação, autoconhecimento e apoio ao bem-estar. Reikianos também utilizam a prática em si mesmos, no chamado autorreiki.

O Reiki não deve ser apresentado como tratamento capaz de curar doenças específicas. Quando utilizado por pessoas em acompanhamento médico ou psicológico, deve ocupar um lugar complementar, sem interromper medicamentos, terapias ou orientações de profissionais de saúde.

Reiki faz parte das Práticas Integrativas do SUS?

Sim. Em 2017, a Portaria nº 849 do Ministério da Saúde incluiu o Reiki na Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC).

Essa inclusão reconhece o Reiki dentro da política brasileira de práticas integrativas. Ela não significa, por si só, comprovação de eficácia para todas as condições de saúde nem que a prática esteja disponível em todas as unidades do SUS. A oferta depende da organização dos serviços locais.

Como é uma sessão de Reiki?

Em uma sessão presencial, a pessoa normalmente permanece vestida, sentada ou deitada, enquanto o reikiano posiciona as mãos em diferentes regiões, com toque leve ou sem contato direto, conforme a abordagem utilizada e o consentimento de quem recebe.

A experiência varia de pessoa para pessoa. Algumas relatam relaxamento profundo, sensação de calor, tranquilidade ou sonolência; outras simplesmente percebem um período de descanso. Nenhuma sensação específica é obrigatória e a ausência de sensações não significa que a pessoa “fez errado”.

Em Uberlândia, o IPIS mantém uma iniciativa de Reiki presencial gratuito por meio do voluntariado, com atendimento organizado pela equipe.

É possível aprender Reiki?

Sim. O Reiki é tradicionalmente ensinado em níveis progressivos. A formação começa pelo Nível 1, no qual o aluno conhece fundamentos, princípios, práticas de imposição das mãos e autorreiki. A partir daí, pode avançar para conteúdos e técnicas de níveis posteriores.

No Curso de Reiki Nível 1 do Instituto IPIS, a proposta é oferecer uma base para quem está começando, combinando compreensão, prática e orientação para continuidade.

Quais são os níveis do Reiki?

As escolas podem organizar a progressão de maneiras diferentes. No IPIS, a jornada formativa segue do Nível 1 ao Mestrado. O Nível 1 introduz a prática; o Nível 2 amplia recursos e inclui o trabalho tradicional com símbolos e Reiki a distância; o Nível 3A aprofunda a formação; e a formação de Mestres corresponde ao Nível 3B, realizada presencialmente em retiro.

Essa progressão ajuda o aluno a construir experiência gradualmente, em vez de tratar o Reiki como um conjunto de técnicas isoladas.

O que é Reiki a distância?

O Reiki a distância pertence aos ensinamentos tradicionalmente associados ao Nível 2. Nessa etapa, o aluno aprende símbolos e procedimentos utilizados pela tradição para práticas que não dependem de estar fisicamente ao lado da pessoa.

O Reiki a distância faz parte da tradição e da progressão formativa de diferentes escolas reikianas. No IPIS, esse conteúdo é aprofundado no Curso de Reiki Nível 2, junto aos símbolos e procedimentos associados a essa etapa da formação.

Reiki é religião?

Não. O Reiki pode ser praticado por pessoas de diferentes religiões ou por quem não segue nenhuma religião. Existem elementos filosóficos e espirituais em muitas linhagens, especialmente os princípios de conduta e práticas meditativas, mas aprender Reiki não exige adesão a uma crença religiosa específica.

Também não é necessário aceitar todas as explicações espirituais da tradição para participar de um curso. É possível estudar o Reiki reconhecendo a diferença entre tradição, experiência pessoal, interpretação espiritual e evidência científica.

O que a ciência diz sobre Reiki?

Nos últimos anos, a produção científica sobre Reiki ganhou novos ensaios clínicos, revisões sistemáticas, meta-análises e pesquisas acadêmicas brasileiras. Uma meta-análise publicada em 2024, reunindo 824 participantes, encontrou redução estatisticamente significativa da ansiedade. Em 2025, outra meta-análise de ensaios randomizados, com 661 participantes, identificou melhora significativa na qualidade de vida associada ao Reiki.

A pesquisa brasileira também vem produzindo resultados relevantes. Uma tese de doutorado da USP, com 88 participantes em cirurgia cardíaca, encontrou redução significativa da ansiedade e melhora do bem-estar após um protocolo de Reiki. Uma tese da UNIFESP, em estudo randomizado e placebo com idosos, relatou alterações compatíveis com redução significativa do estresse e melhora de aspectos de qualidade de vida. Em 2024, uma dissertação da UFPE também identificou redução estatisticamente significativa da ansiedade em enfermeiros de terapia intensiva.

Essa é a posição que orienta a comunicação do IPIS: Reiki pode ser apresentado como uma prática complementar de cuidado e bem-estar, mas não como substituto para medicina, psicologia, fisioterapia ou outros tratamentos necessários.

Quem pode começar no Reiki?

O Nível 1 é normalmente a porta de entrada e não exige experiência anterior com práticas integrativas. Pessoas chegam ao Reiki por motivos diferentes: autocuidado, curiosidade, espiritualidade, interesse em meditação, desejo de ajudar outras pessoas ou intenção de construir uma formação futura.

O mais importante é começar com uma formação que explique não apenas “como fazer”, mas também limites, ética, prática, fundamentos e continuidade.

Como começar a aprender Reiki?

Se você ainda está conhecendo o tema, este artigo já oferece uma base importante. O passo seguinte é experimentar uma prática ou participar de uma formação introdutória. No IPIS, o Reiki Nível 1 é a entrada para a jornada formativa.

Depois, conforme seu interesse e experiência, é possível avançar pelos níveis, aprofundar técnicas tradicionais, participar do voluntariado e, para quem deseja percorrer toda a formação, chegar ao Mestrado Reiki.

Perguntas frequentes sobre Reiki

Preciso acreditar em Reiki para receber ou aprender?
Não é necessário aderir a uma religião ou declarar uma crença específica. O aluno pode estudar a tradição e construir sua compreensão com base na prática, na reflexão e nas evidências disponíveis.

Reiki pode substituir um tratamento médico?
Não. Reiki é uma prática complementar. Sintomas, doenças e sofrimento emocional que necessitem avaliação profissional devem continuar sendo acompanhados pelos serviços de saúde adequados.

Qual é o primeiro nível do Reiki?
O Nível 1 é a etapa inicial. É nele que a pessoa conhece fundamentos, princípios, aplicação pelas mãos e autorreiki.

Reiki tem símbolos?
Sim. Símbolos fazem parte de diferentes etapas da formação tradicional e são introduzidos progressivamente. No IPIS, o trabalho com símbolos começa a ser aprofundado a partir do Nível 2.

Fontes e referências para aprofundar

Ministério da Saúde — Portaria nº 849, de 27 de março de 2017, que incluiu o Reiki na Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares.

Guo X. et al. — Therapeutic effects of Reiki on interventions for anxiety: a meta-analysis. BMC Palliative Care, 2024.

Effects of Reiki therapy on quality of life: a meta-analysis of randomized controlled trials. Systematic Reviews, 2025.

Gomes, Eduardo Tavares — Efetividade do Reiki para ansiedade no período pré-operatório de cirurgia cardíaca: ensaio clínico randomizado. Tese de Doutorado, Universidade de São Paulo, 2022.

Oliveira, Ricardo Monezi Julião de — Efeitos da prática do Reiki sobre aspectos psicofisiológicos e de qualidade de vida de idosos com sintomas de estresse. Tese de Doutorado, UNIFESP, 2013.

Santos, Cristovão Barros Rodrigues dos — Efeitos do Reiki na ansiedade dos enfermeiros de terapia intensiva. Dissertação de Mestrado, UFPE, 2024.

The effect of Reiki on anxiety, fear, pain, and oxygen saturation in abdominal surgery patients: a randomized controlled trial. Explore, 2023.

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